domingo, 16 de setembro de 2018

8 - Uma temporada com o Cinema Novo. A Difilm e Luiz Carlos Barreto. A comunidade da " Feira do Lixo " e um filme experimental. O início dos demais curtas.

Os anos de 1971 e 1972 foram muito agitados. Praticamente encerraram minha fase inicial de aprendizagem; trabalhei para algumas produtoras e fiz mais outros filmes curtos. Foi uma fase também em que passei uma temporada com o cinema novo. Pouco antes de sair do Banco Lowndes me encontrei na Avenida Rio Branco,esquina com a Rua São José, com Glauber Rocha. Ele ia para a Difilm em direção à Cinelândia e fomos conversando, depois de eu ter me apresentado e dito que queria dirigir filmes. Conversamos sobre José Mojica Marins que ele resumidamente definiu como um primitivo. O papo sobre cinema brasileiro continuou até a Cinelândia onde ele me aconselhou a procurar um emprego na Difilm a distribuidora do cinema novo e continuasse a minha formação em cinema. Sem dinheiro pra nada, pois estava desempregado após o filme do Christensen, eu morava  durante a semana ( para não  gastar com condução até Madureira ) no centro da cidade na Avenida Presidente Vargas, em frente a zona do meretrício, numa comunidade meio "hippie" chamada "Feira do Lixo", Nesta comunidade fiz grandes amigos tais como o Roberto Moura que depois se tornou num importante crítico de música popular. Com moradores da comunidade e amigos, notadamente Antonio Jaime Soares, publicitário que cenografou as cenas, fiz um curta metragem experimental chamado " 1970 " o qual gosto muito, e que tenho boas recordações; vide foto abaixo. Nesta época havia sido criada a loteria esportiva. Precisando de trabalho, fiz um curso de furar cartões da loteria, na Caixa Econômica. Fui trabalhar em uma das loterias na Rua Paulo Barreto em Botafogo.Nesta unidade quem fazia apostas semanais sempre era o Luiz Carlos Barreto, que morava  nas proximidades, na Rua 19 de Fevereiro e trabalhava na sede de sua distribuidora a Difilm  na Rua das Palmeiras 15 , um pouco mais acima. Fiquei pouco tempo na lotérica pois conversando com  o Barreto acabei por ir trabalhar na Difilm e na Luiz Carlos Barreto Produções Cinematográficas, nos anos de 1971 e 1972. Meu primeiro trabalho alí foi de telefonista e ajudante da Eliana Cobbet ( esposa do cineasta William Cobbet ) que fazia das tripas coração na conferência dos borderaux de distribuição, e com os resultados auferidos efetuava os pagamentos da empresa etc. Meu trabalho no primeiro filme alí foi no Barão Otelo, que citei no post anterior e depois em Os Sóis da Ilha de Páscoa onde fui Assistente de produção no Rio de Janeiro e em Ouro Preto, ajudando o Billy Davis,  neste mesmo filme, dirigido por Pierre Kast e que contava no elenco brasileiro com atores como Norma Bengell, Rui Guerra, Zózimo Bulbul e outros. Ainda na Difilm e posteriormente na Luiz Carlos Barreto Produções Cinematográficas trabalhei como continuísta em A Emboscada, curta metragem de Bruno Barreto e no dia a dia da produtora e da distribuidora conheci muita gente tais como Adélia Sampaio, Walter Lima Junior, Roque Araujo, Julio Romiti, Nelson Pereira dos Santos, e outros.O início dos anos setenta foram os da consolidação destas produtoras e alí se trabalhava muito.A Lucy Barreto dirigia até a Kombi quando necessário e Luiz Carlos Barreto trabalhava muito também no se desdobrar entre a produção e a distribuição dos filmes. Foi uma fase para mim também muito importante pelos muitos conhecimentos que fiz na Rua das Palmeiras 15, sede da Difilm local de que guardo boas recordações e onde conheci Murilo Sales, Bruno Barreto, Miguel Borges, Leon Hirszman e dezenas de técnicos e diretores que por alí circulavam, alguns que me fogem à memoria no momento mas que por alí passaram e constituiram a turma do cinema novo. Após esta fase parti para a feitura de mais alguns curta metragens que narrarei no próximo post.  

Desbunde total; época do fumo manga rosa, dos comprimidos de Artane do LSD e otras cositas más. " 1970 " Filme Experimental realizado por mim com o grupo da comunidade " Feira do Lixo " onde frequentava. Telma e Antonio Jaime Soares ( que cenografou a cena )  à esq. Eloisa Abreu no centro da foto. Sentado com a pernas esticadas Fernando Abritta, recostado com os cabelos desalinhados " Woodstock " . Nú em cima da cama Fernando Montalvão

Nenhum comentário:

Postar um comentário