quinta-feira, 23 de agosto de 2018

5 - Início dos anos 70. "Adivinhe quem vem para Almoçar ", prêmios, curta metragens. Meu amigo Walter Hugo Khouri.

A última vez que vi Christensen foi emblemática. Dia quente de carnaval fui até a Cinelândia fugindo de uma depressão absurda. Na altura da Av. Alte. Barroso vejo Christensen com um copo de plastico na mão, dançando na calçada. Bem vestido como sempre, camisa de manga comprida arregaçada.Fiquei abobalhado de ver sua alegria. De repente passa um bloco imenso e ele mergulha na multidão dançando, acompanhando o bloco e some no meio de todos. Para mim isso resume a figura de Christensen e também o fim dos anos 60. Uma época idealizada e ingênua em que se acreditava histericamente na felicidade e na existência de um bem supremo e, o mais absurdo de tudo, é que se procurava alcançá-lo.
Ainda nesse período tentei fazer minha estréia no longa metragem. Escrevi um roteiro  O Sangue é mais doce que o Mel .Com a ajuda de João Daniel Thikomiroff e Fredy Nabhan, ambos amigos que posteriormente abririam a Jodaf, especializada em filmes publicitários, tendo o Luiz Fernando Ianelli como protagonista começamos as filmagens .O filme ficou no copião e por uma série de problemas não foi terminado. Voltei então para os curtas e fiz  Adivinhe quem vem para Almoçar com meu amigo Reinaldo Cozer que conheci na recém criada Faculdades Integradas Estácio de Sá, onde fui estudar Comunicação Social através de uma bolsa de estudos ofertada pelo Plinio Muto diretor administrativo e pelo Dr. João Uchoa Cavalcanti dono da faculdade. Ainda nessa fase fiz o vestibular para UFRJ-Filosofia e comecei o curso de Graduação, nesta faculdade que terminei em 1976 conheci minha esposa e minha companheira até hoje: Maria Terezinha Lustosa Vital. Nos casamos em 1974.  Adivinhe quem vem para Almoçar feito em Super 8 ganhou o Festival de Campinas ( Festival do Grife ) e com o dinheiro do prêmio viajei para a África ( Senegal e Marrocos ) e percorri 10 países europeus acompanhado de meu amigo, padrinho de casamento e sócio, Reinaldo com quem abri a Aleph Filmes. Na volta da Europa, onde retornei  com Terezinha  no ano seguinte, fizemos  Ataulfo Alves  e  Augusto do Anjos , dois curta metragens em 35 milímetros.. Com o súbito sucesso conquistado pelos filmes e prêmios,o preço a pagar foi caro. O aumento da depressão e impulsos histéricos quase psicóticos que surgiram. Aconselhado pelo Georges Lamazière, amigo que conheci na faculdade e que mais tarde se tornou diplomata, comecei meu longo processo psicanalítico que durou 27 anos: 7 anos com  um analista e 20 anos com outro.
Ao exibir em São Paulo em um outro festival o filme em super 8 me deparei na sala de espera do cinema, com Walter Hugo Khouri que fazia parte do Juri. Ele caminhava na sala de entrada, me aproximei e puxei conversa dizendo conhecer seus filmes; Sentamos e iniciamos uma amizade que durou 10 anos, um livro sobre sua obra, troca de informações e pesquisas  e uma assistência de direção e colaboração em um de seus filmes  O Desejo . Conhecia a obra de Khouri como a de Christensen, assistida na minha adolescência no subúrbio carioca.. O Corpo Ardente  meu filme preferido dele, assisti 5 vezes no cine Monte Castelo em Cascadura e desde sua abertura ( aquela bola branca crescendo na tela ) até às imagens da protagonista perseguindo o cavalo era para mim uma exacerbação do naturalismo. À semelhança de  Limite  de Mario Peixoto,  O Corpo Ardente  com seu quase grafismo em algumas sequências era uma obra prima irretocável. Sobre Khouri continuo a falar no proximo post.
Eu, Reinaldo Cozer e a câmera super 8 com a qual percorremos a África e a Europa. Foto do jornal Correio Ilustrado de Campinas ( SP ) em Abril de 1973 quando ganhamos o primeiro prêmio no Festival Super 8 com " Adivinhe quem vem para Almoçar "
                   

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