Dinheiro que é bom não se tinha para nada. Muitas vezes pedimos dinheiro pra condução nas ruas ou caronas em ônibus. O Edson começou a pintar profissionalmente e conhecemos muita gente ligada à pintura na Escola de Belas Artes na Cinelândia , na Rua Araujo Porto Alegre. Ficávamos ali grande parte do dia pois tinha um bandejão barato e bons papos com o pessoal de Artes Plásticas.O Carlos Lima então selecionou alguns amigos artistas e fizemos uma exposição de pintura surrealista de artistas suburbanos no Floresta Country Clube em Jacarepaguá; isso tudo no ano de 1968. Neste período começamos também o cineclubismo.Haviam muitos cineclubes na Zona Sul carioca.Me lembro de memória do Samambaia, meio itinerante, onde conhecemos o Paulo Veríssimo e o do Colégio Estadual André Maurois na época da Henriete Amado. Neste colégio conhecemos o Silvio Da-Rin e outros. Frequentávamos esses e muitos cineclubes e então abrimos um no subúrbio em Jacarepaguá, no Colégio Estadual Brigadeiro Schorcht. Também frequentamos umas sessões de filme de arte no Cine Theatro Baronesa todas as quintas feiras. No cineclube passávamos um Godard, Antonioni, Fellini,Visconti entre outros. Nesta época as exibições eram em 16 milímetros , não existia video cassete , e se tinha que ir na cidade alugar os filmes nas produtoras, Pelmex , Art Films etc... e muitas vezes, carregar projetores nas costas no ônibus. Projetores geralmente emprestados de colégios e igrejas. Arranjei nesta fase um emprego de
Office Boy, no Banco Lowndes fazendo entregas na rua; aí já tinha um salário e dinheiro para condução e para ver filmes. O Edson então resolveu fazer um filme. Com uma câmera 16M/M emprestada e filmes de várias emulsões, fizemos um curta surrealista e mudo chamado
Nada que foi inscrito no Festival JB/Mesbla em 1968 , eu fui assistente dele. No ambiente do Festival no Cine Paissandú conhecemos muita gente: Nelson Hoineff, Antonio Calmon o Walter Carvalho que estava chegando no Rio e queria fazer desenho industrial. Fiz também logo em seguida meu primeiro curta
Western Trick uma montagem em cima de cenas de um velho western comprado na Mesbla. Intercalava as cenas de ação do filme com umas imagens meio
antonionescas filmadas no Museu de Arte Moderna tendo como atriz a Valquiria Salvá, esposa do Alberto Salvá, que eu havia conhecido no Grupo Câmera e que gentilmente aceitou meu convite para participar do filme nas cenas externas.
Nessa época conheci na Faculdade de Belas Artes o Jorge Dias irmão do pintor Antonio Dias. Ele havia trabalhado com o Christensen no filme
Como Matar um Playboy e eu confessei a ele a minha admiração pelo diretor e o desejo de trabalhar com ele. Ele me disse que o Christensen tinha um Assistente permanente que era o Chiquinho ( Francisco Marques ) mas que a cada filme abria uma vaga para um segundo assistente ( continuista ) e que eu poderia tentar esta vaga. Peguei o telefone com ele e encorajado pelo Jorge, no mesmo dia liguei para o Christensen que marcou comigo no dia seguinte em seu apto. na Rua Pompeu Loureiro em Copacabana. Esse encontro com Carlos Hugo Christensen foi crucial pra mim. Era a chance que eu esperava para me profissionalizar. Vou tomar um pouco de fôlego e continuo no próximo post ...
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| Eu aos 18/19 anos, foto gentilmente tirada por Sebastião França, cineasta autor de Subúrbio Pessoa |
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